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Ana Carolina: Ana Carolina planeja ter um filho em 2012, mas ainda não sabe como
Rio - Ana Carolina parece ter tudo o que quer. Mora numa casa dos sonhos, com vista para a Lagoa e o Cristo, tem muitos discos de ouro pendurados na parede (reflexo de uma década de sucesso), livros, instrumentos musicais e telas que ela mesma pinta — que resultaram no novíssimo disco ‘Ensaio de Cores’. Fica até difícil pensar na falta de alguma coisa quando há tanta abundância em volta. Mas, apesar disso, ela vive hoje o grande dilema de sua vida: ser ou não ser mãe?
“Vou ter um filho agora? Vou fazer inseminação artificial? Procurar uma barriga de aluguel, uma pessoa vai gerar para mim? Sou diabética e dizem que a criança pode nascer com hipoglicemia, ir para a incubadora”, diz Ana, que se declarou bissexual em 2005 e está solteira. “Eu paro três horas do meu dia para pensar sobre ser mãe. Conversei com o meu médico. Tenho 37 anos. Daqui a pouco, vou ter que tomar uma decisão. Sofro com isso. Esse é o dilema de 2012”, revela.
Sem ninguém no momento — “não estou namorando, não, mas também não estou solta na pista” —, Ana diz que não descartaria a possibilidade de ter uma relação com um(a) fã. “Por que não? É uma loucura o assédio. É homem, mulher, tem de todos os tipos. Se não for uma pessoa fanática, acho que não tem o menor problema”, avalia.
Ana acredita que muita gente se aproxima dela por se identificar com suas músicas. “Tenho amigas que, em um primeiro momento, tiveram admiração pelo meu trabalho. Pode ser um caminho”, explica ela, que também é vítima de julgamentos pré-concebidos. “O mais difícil de ser uma pessoa conhecida é lidar com isso. Tem gente que acha que eu sou super ‘Y’ e, na verdade, eu sou super ‘X’. Às vezes, pensam que sou antipática, mas depois descobrem que sou legal. Isso que atrapalha o começo de uma relação”, argumenta a cantora.
Apesar de não se aprisionar numa bolha por causa dessas questões, Ana Carolina muitas vezes prefere ficar no aconchego de sua casa do que gastar a figura por aí. “Eu queria sair mais, ir a uma disco e ficar numa boa. Mas tem sempre alguém que aponta, que faz comentários sobre a minha roupa, o que estou bebendo. É uma vigília que não é de fã. Dá uma preguiça”, entrega ela, que adora ir à Lapa. “Vou ao Semente e ao Democráticos. É muito bom, melhor do que sair na Zona Sul”, diz.
Fonte: O DIA ONLINE
Ana Carolina: Apenas mulheres tocam no novo disco de Ana Carolina, inspirado em pinturas
A voz potente e grave de Ana Carolina se rendeu a outros ritmos no CD Ensaio de cores. Duas palavras definem bem o novo trabalho da cantora: miscigenação musical. Em 14 faixas, as canções vão da MPB romântica ao hip-hop e ao samba. Mas as misturas não são apenas as de gênero, a produção é uma conjunção entre música e pintura.
Todo o repertório foi escolhido para casar com o projeto. Até mesmo regravação de Carvão tem relação direta com as artes. “Quando eu comecei a fazer os primeiros exercícios com uma artista plástica, a primeira coisa que ela pediu para eu fazer como exercício era pintar com carvão em cima de várias folhas. Lógico, isso ficou na minha cabeça”, lembra a cantora.
Apesar de não se considerar uma pintora, Ana Carolina teve a ideia de preparar o novo disco a partir das telas que criou. “Chegar a Ensaio de cores foi uma coisa complicada, porque a pintura é uma atividade muito informal da minha parte. Eu não gostaria de me considerar uma pintora, ter esse peso sobre mim. Apesar de eu pintar bastante e de maneira intensa, me entregar totalmente, eu acho que a o nome Ensaio de cores fala um pouco com a música, a própria palavra ensaio é uma coisa que tem muito dentro do universo musical”.
É tanta sinestesia, tanta mistura entre cor e som que Ana Carolina considera que algumas canções foram pintadas. Três músicas em especial resumem bem o álbum e a relação entre as canções e as pinturas: As telas e elas, composição de Ana Carolina; Rai das cores, de Caetano Veloso; e Azul, de Djavan.
O mais feminino de todos os CDs de Ana Carolina foi criado com um grupo formado exclusivamente por mulheres. “Gravei Todas elas juntas num só ser, do Lenine, porque achei que tinha tudo a ver com a banda feminina; O violão fala da criação do primeiro instrumento inspirado no corpo da mulher. Eu decidi montar essa banda feminina porque queria tocar só com mulheres mesmo. É lógico que o pensamento foi simples, mas o resultado não. Porque, no palco, eu descobri muitas coisas tocando só com mulheres. A intensidade em todos os lugares, a delicadeza”.
Caetano
Depois de participar do show Elas cantam Roberto e interpretar Força estranha, de Caetano Veloso, Ana Carolina se apaixonou pela canção. “Foi muito legal para mim, eu amo essa música, estava na hora de colocar no meu show. Eu acho um arraso, uma obra de arte.”
Ela não é sambista, mas se saiu muito bem nos dois sambas que gravou. Pra tomar três, composta em conjunto com Edu Krieger; e Stereo, feita com Antônio Villeroy, têm a receita para animar o público. “Pra tomar três era uma música que eu tinha no bolso e que tem muita cara de show, até pela própria atmosfera, um jeito meio ‘boêmia, aqui me tens de regresso’”, brinca. “E Stereo eu resolvi incluir no disco porque estava tocando muito nas rádios, inclusive AM. Foi aí que Lan Lan (baterista) fez aquilo que ela chama de maculelê de boca, uma percussão vocal, ficou pesadão.”
Ao contrário do último CD, Multishow Ana Carolina Nove, Ensaio de cores não tem participações especiais. “O projeto é diferente. O Nove era o momento em que eu estava comemorando 10 anos de carreira, eu queria cantar com as pessoas que eu admirava. Cantei com John Legend, com Esperanza Spalding, com Chiara Civello. Aquele foi o momento específico. Ensaio de cores é como se a gente fosse uma banda e eu fosse a vocalista”.
Do Correio Braziliense
Fonte: Diario de Pernambuco
Ana Carolina: Ana Carolina fala de trabalho e vida pessoal
Ana Carolina é uma pessoa intensa. Inquieta. É capaz de ficar seis horas seguidas pintando telas, mas depois não consegue olhar para essas obras sem ter a vontade de dar mais um retoquezinho. A música pode surgir num momento inesperado que a leva a empunhar violão, ou nos muitos saraus em sua casa no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, já frequentado por gente como Norah Jones e Madeleine Peyroux.
Com esse jorro criativo, Ana Carolina decidiu unir música e pintura no novo disco Ensaio de Cores (Sony Music). Desta vez com uma banda só de mulheres, tocando inéditas e releituras. Em conversa com o JT, a mineira de Juiz de Fora, de 37 anos, falou de trabalho e vida pessoal. Com objetividade. Do jeito que ela gosta.
‘Ensaio de Cores’ tem faixas representativas dessa união entre música e pintura, como ‘Rai das Cores’ e ‘As Telas e Elas’. Como foi a elaboração desse disco?
Estava com a casa cheia de telas e fiquei pensando no que fazer com elas. Aí resolvi fazer esse show, que seria a exposição das obras, com parte da renda revertida para a Associação de Diabetes Juvenil. Pensei no Rai das Cores, fiz As Telas e Elas, botei o Azul e disse: “Já tem um núcleo de músicas para fazer sentido com as telas que são exibidas no foyer e projetadas no palco durante o show”.
Em um vídeo seu, em que está pintando, você aparenta fazer um trabalho bem instintivo. Tem sido mesmo dessa forma?
O que eu tenho dito é que tem um cara chamado Basquiat, que vivia, pintava, comia, andava, dormia, tudo em cima das telas. Depois as expunha e isso me chamou bastante atenção, porque a maneira como faço música é muito parecida. Aconteceu alguma coisa aqui, pego o violão. É meio aqui e agora. Percebi que não importa somente o que você vê no quadro, mas a atitude do que foi feito na hora que a figura estava pintando. Quero a comunicabilidade visual, muito mais do que a beleza.
Você fez uma exposição, recentemente, na galeria Romero Britto, com renda revertida para a ADJ. Quanto custam suas obras?
O que me ensinaram é que um iniciante pode cobrar de R$ 3 mil a R$ 10 mil o metro quadrado.
Encara a pintura como algo a se fazer despretensiosamente?
Totalmente. Nem quero ser chamada de pintora, acho que preciso de mais dez anos pra isso (risos).
Você descobriu ter diabetes aos 16 anos. Por conta disso, você se mantém longe do álcool?
Eu tomo meus vinhos, sim. A gente não tá morto não, viu? (risos) Você só não pode tomar um porre e perder a noção do perigo. E tem de ficar especialmente atento, porque quatro horas depois do último gole pode ter uma hipoglicemia.
E drogas, você já teve envolvimento com alguma?
Não uso drogas, jamais, em hipótese alguma. Tenho pa-vor de drogas. Todas. Tomo meu vinho e olhe lá.
Você contou, em entrevista, que seu pai foi amante da sua mãe e ele tinha outra família. Ele morreu quando você tinha dois meses, mas você cresceu sabendo disso. Como foi lidar com a situação?
Foi superdifícil, porque eu sabia, mas não podia falar nada. Hoje, sou superamiga da minha irmã, amiga da família do meu pai, mas, na época, foi meio barra pesada.
O que foi mais difícil?
Era difícil no colégio não poder falar quem era o pai, colocar o nome. Porque era como se o pai não existisse, como se parte da minha raiz se afundasse e eu não pudesse exibir. Isso era complicado mesmo.
Foi sua irmã quem tem procurou. Antes disso, você nunca havia pensado em procurá-los?
Não, porque a história era da minha mãe, então, não ia tocar nela. Era uma questão de respeito.
Sua irmã te viu numa capa de CD e notou a semelhança, foi isso?
Quando ela olhou, sentiu alguma coisa. Era uma identificação visual, porque embora ela seja bem mais velha do que eu, somos longilíneas, ela também tem a testa grande. A gente é superparecida. Inclusive, no jeito de falar, o gestual. A gente se conhece há dez anos. A gente ri, é uma genética assustadora (risos). Eu tenho um irmão também, o Fernando.
Deve ter dado um frio na barriga esse primeiro encontro?
Deu mesmo. Eu ficava olhando pra ela pra ver o que parecia. A marca no dedo, o pé, o umbigo. Foi um negócio engraçadíssimo.
Depois de declarar publicamente ser bissexual, você contou que as pessoas continuaram ouvindo sua música, indo a shows. Mas, em algum momento, foi vítima de preconceito?
Não, em momento nenhum. Acho que o pessoal não tá nem aí pra minha opção sexual. No plano pessoal, também não tive problemas. Te garanto. Porque se tivesse, diria, inclusive, o nome da pessoa, porque eu sou louca.
A militância gay já reclamou de você não levantar bandeira, não tocar nas casas que frequentam…
Nunca fui convidada para uma passeata gay. Já vi vários artistas que são chamados, inclusive, amigos meus. A Preta Gil está lá direto. Ela é minha amiga.
Está namorando?
Estou solteira.
Pensa em se casar?
O casamento é uma coisa meio boba. Ele tem uma coisa terrível que faz do dia que você diz sim o mais importante de todos os seus dias futuros onde você, teoricamente, não pode romper aquele laço. Estou muito distante de dizer hoje o que pretendo fazer, seguramente, para o resto da minha vida. Não preciso assinar papel nenhum para amar alguém, nem para provar nada. Mas mudo muito. Estou dizendo isso hoje, mas posso mudar de ideia amanhã de manhã.
Aliás, você disse que congelaria óvulos seus para o futuro…
Pois é… Quero fazer esse negócio, mas não é tão fácil quanto imaginei. Não se resolve numa tarde.
Você fez um ensaio com vestido vermelho, mas disse que não gosta muito de vestido. O que você tem no seu guarda-roupa?
Só tenho roupa preta (risos) Aiai… Tenho lá uma jaqueta jeans, vai, mas não gosto muito dessa coisa de cor no corpo.
Costuma dar festas na sua casa?
Sim, promovo saraus aqui. Trago meus amigos músicos e já tive gente da pesada. Norah Jones já veio, Madeleine Peyroux, Maria Gadú, Dudu Falcão, Edu Krieger, Jorge Vercillo, Antonio Villeroy. Surge muita música. É uma troca incrível. Faço questão. Adoro.
Você disse que percebeu a fama quando alguém veio te pedir um autógrafo e, a partir daí, você fez terapia. De que maneira isso teve impacto em sua vida?
É muito legal fazer sucesso, ser reconhecido por aquilo que você faz. Adoro e acho que não trocaria por nada. Agora, se eu vou numa disco, por exemplo, o problema não é o fã que vem falar comigo. Adoro, tiro foto. O problema é a observação. Às vezes, o cara nem é teu fã e fica naquela cutucada ali, falando alguma coisa de você o tempo todo. Tem hora que incomoda, porque tira sua liberdade mesmo de ser. Você sabe que está sendo vigiado, pô. Você fica meio grilado.
Por causa disso, você evita lugares com muita gente?
Não. Eu, naturalmente, não saio, porque não saio mesmo. Não tem nada a ver com essa coisa de ser reservada, não. Mas quando eu saio, saio pra valer, vou pros lugares, porque também eu não vou ficar me escondendo.
Fonte: Jornal da Tarde
Ana Carolina: A arte e a música de Ana Carolina
Em novo álbum ao vivo, a cantora cria clima misturando suas pinturas à música
Em 2010, Ana Carolina estreou nos palcos o projeto Ensaio de Cores. A ideia era misturar sua música com as pinturas que vinha realizando à época. Ela recrutou a pianista Délia FIscher, a violoncelista Gretel Paganini e a percussionista Lanlan para acompanhá-la na empreitada. Durante os shows, suas telas eram exibidas para o público que adentrava aquele mundo de cores.
O projeto duraria apenas quatro shows, mas o sucesso foi tamanho que a cantora e compositora fez dele uma turnê e resolveu registrá-lo em CD (já nas lojas), DVD e Blu-Ray (que serão lançados em 2012).
"Somos quatro mulheres no palco, o que naturalmente traz mais delicadeza à sonoridade", explicou Ana Carolina em entrevista ao C2. A cantora ressaltou que quis fazer um disco ao vivo diferente, na contramão das grandes produções que vinha fazendo.
"O disco ao vivo tem o calor e a emoção do público. O show foi produzido para um formato menor, mais intimista e despretensioso. Passei anos viajando com grandes estruturas e banda. Quis mudar", afirmou.
O repertório do show é variado. Há canções de autoria de Ana Carolina e outras de Djavan, Caetano Veloso, Lenine, entre outros. "Escolhi músicas que apresentassem o conceito do show. Aproveitei para cantar algumas que sempre tive vontade, como "Todas Elas Juntas Num Só Ser", do Lenine, que ficou ótima na nossa versão", disse.
Há também alguns sucessos da carreira da cantora como "Problemas", atualmente na trilha sonora da novela "Fina Estampa", da Globo, e "Você Não Sabe", de Antônio Villeroy, seu parceiro habitual.
Ana Carolina fez questão de afirmar que o show e suas pinturas estão fortemente conectadas. Ela afirmou ter começado a pintar para ouvir música com calma. Hoje, no entanto, Ana escuta música para pintar. "As duas artes ocupam espaços complementares na minha criação", garantiu.
Fonte: Gazeta online
Ana Carolina: 'Fiz um monte de loucurinha até achar minha onda', diz Ana Carolina
Ela lança o CD-DVD 'Ensaio das cores', que mostra sua paixão pela pintura
Quando Ana Carolina não está nos palcos, na turnê que deu origem ao disco "Ensaio das cores", a chance é grande de ela estar pintando com um de seus 150 pincéis. Afinal, ela diz ficar de "de oito da noite até cinco da manhã" criando seus quadros.
Em entrevista ao G1, a cantora fala de seu novo CD-DVD ao vivo, mas se empolga mais ao detalhar a paixão por cores e telas. Ana Carolina descreve a força das novelas, elogia sua banda só de mulheres e conta que a amiga Cássia Eller (1962-2001) costumava andar pelada pela casa.
G1 - Quando você começou a pintar e quando sentiu a necessidade de juntar pintura e música em um só projeto?
Ana Carolina - Eu comecei a pintar em 2000 e poucos. Quando vi tinha várias telas em casa, meus amigos pediam e eu não tinha vontade de fazer nada com aquilo. Não conseguia descobrir o momento que a tela acabava, continuava pintando eternamente. Chegou uma hora que pensei: só se for para fazer um projeto, ou fazer leilão para uma ONG. Pensei na associação dos diabéticos, porque sou diabética desde os 16 anos. Depois, pensei no show com músicas sobre o assunto ("Azul" do Djavan; "Rai das cores" do Caetano). Consegui o link que precisava entre as telas e as músicas.
G1 - Sua primeira exposição individual começou neste mês na galeria Romero Britto. Como foi escolher as telas, como é seu trabalho como pintora?
Ana Carolina - Eu fico de oito da noite até cinco da manhã. Compro a lona, lavo a lona. Eu fico horas preparando as misturas, tenho 150 pincéis. No dia da vernissage, eu parecia uma noiva no dia do casamento. Estava "nervosassa", pensando: "o que eu vou falar?". Foi muito doido. Todo mundo fica olhando, avaliando, discutindo sobre aquilo. Eu fiz um monte de loucurinha até achar a minha onda. Tinha uma coisa meio [Jackson] Pollock de jogar a tinta na tela.
G1 - É difícil o desapego com a tela?
Ana Carolina - Não tanto, porque eu sou esperta. Acabei de pintar um negócio. Com custo, decido que aquilo terminou. Chamo um fotógrafo e ele tira uma foto bacanuda em alta [resolução] para mim. A foto é tirada em estúdio. Me falaram que isso é meio neurótico. Eu tenho que entregar a tela para a pessoa que comprou e ver a cara dela. O dono tem que pegar um avião ou eu a entrego quando faço um show perto de quem comprou. Ainda não sou dessas artistas plásticas que desapegam. Já vendi 18 telas assim e tenho outras 48 prontas.
G1 - Por que decidiu montar uma banda só de mulheres para este show? Qual a diferença em ser acompanhada só por mulheres?
Ana Carolina - Eu fiquei parecendo a vocalista de uma banda, senti mais músico do que nunca. Com elas, eu me sinto mais músico. Com a banda masculina, eu era mais a cantora. A intensidade com a qual se toca é diferente quando há quatro mulheres no palco. Quando é para ser mais delicado, é mais delicado, quando é pra ser pesado é um arroubo de peso, é uma coisa de útero. A Delia Fischer me deu quatro meses de aula de piano um tempo atrás. Eu acho que ela é um monstro. A Lan Lan não poderia ficar de fora. Quando se pensa em baterista e percussionista mulher, penso nela. Ficou uma cara de banda. Realizei essa fantasia. O projeto pode voltar daqui a dois ou três anos, com essa formação.
G1 - Como foi a composição de "Pra tomar três' com o Edu Krieger? E a escolha das outras canções?
Ana Carolina - Eu estava com essa sacada há um tempão na cabeça, querendo fazer um lance. Eu liguei para ele e a gente nem se conhecia. Quando aparece um compositor legal, é difícil esperar a oportunidade de falar com a pessoa. Sou ansiosa, consegui o celular e liguei. Eu mostrei para ele o verso e logo depois ele me mandou a letra toda. Fizemos tudo mais ou menos juntos. Foi um prazer ter trabalhado com ele. "Stereo" é uma música que fiz há um tempão para a Preta Gil. Se a música estava tocando bem, também queria me dar bem. "Você não sabe" tinha um cheirinho de "Garganta". É uma letra revoltadinha, meio "eu sou mais eu".
G1 - Você já vendeu cinco milhões de CDs e DVDs. Tem interesse em saber dos números de vendas, de execuções em rádios? É algo que acompanha?
Ana Carolina - Eu tenho interesse quando alguém chega para mim e fala: "vendeu tanto". Eu digo: "que legal". Tem uma coisa que acontece com 12 anos de carreira... Você já tem um público que compra o disco sem precisar ouvir. Eu sou fã do Lou Reed, eu vou comprar o CD e f..., sabe? Se tem música ou não, quero ouvir. Isso acontece de maneira natural. Hoje eu sei que no mínimo 50 mil cópias eu devo vender.
G1 - 'Problemas' é tocada em 'Fina estampa' e está estourada nas rádios, muito por isso. É mais fácil emplacar uma música com ela na trilha de uma novela?
Ana Carolina - É inegável. No momento que toca na novela, tem 50 milhões de pessoas ouvindo. Não tem rádio que consiga isso. Você coloca a cara a tapa à beça. Eu não acredito que a dramaturgia faça o cara gostar da música. O cara pode ouvir e falar: "odeio essa música". Você meio que invade a casa do cara. Eu acho que o negócio é bem feito. Eu nunca vi uma música minha que não tivesse a ver com a dramaturgia. "Garganta" era uma música super dedo em riste e era da personagem da Débora Bloch em "Andando nas nuvens". É bem escolhido, não são músicas que não têm nada a ver. "Problemas" é trilha dos personagens de Dan Stulbach e Julia Lemmertz; e eles vivem brigando.
G1 - Você ficou um tempo na casa da Cássia Eller quando foi para o Rio e no fim do mês completam-se 10 anos da morte dela. Que memórias você tem da Cássia daqueles tempo de convivência intensa?
Ana Carolina - Na verdade eu só ficava na casa dela no Rio porque ela era muito amiga de uma amiga minha. Por isso, não tinha grana para ficar em hotel, não tinha grana para pagar o roadie. Ela era gente boa pra c... e me acolhia. Ela chegou a pagar um roadie para tocar comigo e foi a um show. Foi uma relação curta, um tempinho, mas foi muito legal. Ela sempre falou do meu trabalho com boa vontade e generosidade. Lembro de uma vez de manhã, a gente dormia na sala, toca a buzina e ela vem pelada pelo corredor afora e vai na janela e grita: "peraí, já tô descendo". Foi engraçado. [risos].
Fonte: Primeira Edição/G1